Pois bem, aí está mais um capítulo do nosso eterno teatro da educação em Roraima — desta vez no pequenino município de Caroebe, onde pais e professores da Creche M. Prof. Francisco das Chagas da Silva Oliveira denunciam algo que já cheira a mais uma trapalhada política: o recesso da creche está marcado para 26 de novembro, mas o “diário dos professores” vai até 19 de dezembro. É o velho truque manhoso de sempre: calendário que não bate, carga horária que some no calor escaldante do nosso interior e gente ficando sem explicação — só com bronca.
Enquanto a comunidade acende o sinal de alerta, exige respostas, e até sugere que o Ministério Público entre na jogada para verificar se tudo está dentro da legalidade, a prefeitura de Caroebe parece mais preocupada em fechar contratos mal explicados do que resolver pendências genuínas de uma creche que atende crianças pequenas. Vale lembrar que, não faz tanto tempo, o MP já questionou outro processo seletivo na educação local, apontando fraudes por falta de critério nas entrevistas. Pois é, a diaríssima sensação de déjà-vu insiste em bater.
É irônico: no calor escaldante de Caroebe — onde a temperatura parece conspirar para deixar tudo mais difícil — pais ficam aflitos pensando se seus pequenos terão aula ou se ficarão largados no recesso irregular. Professores, por sua vez, já se veem em meio a um calendário com mais buracos do que as ruas da região, obra mal feita, promessa não cumprida e ninguém para cobrar com firmeza. É como viver em um looping: todo mundo cansado, mas sem força para mudar o roteiro.
E, claro, não podemos esquecer o pano de fundo dessa novela. Caroebe não está sozinha: diversos municípios de Roraima já enfrentaram denúncias de irregularidades em seleções para educação. A população, sempre carente de escolas decentes, creches respeitáveis, atendimento digno, acaba pagando a conta – com crianças vulneráveis, professores desvalorizados e gestões que parecem brincar de “quem engana mais”. E tudo isso sob o calor implacável do nosso território, onde a promessa de melhoria evapora rápido como água no asfalto.
Portanto, este recesso-surpresa na creche de Caroebe não é um detalhe menor: é mais uma peça do quebra-cabeça de descaso e falha de governança que assola nossa educação. Faço um apelo aqui — para o Ministério Público, para os conselhos tutelares, para a comunidade de Caroebe: não deixem isso passar. Cobrem transparência, exijam explicações, denunciem se necessário. E para os políticos, que pare de tratar a educação infantil como uma mera formalidade administrativa. O futuro das crianças de Caroebe exige mais do que recesso fora de hora — exige compromisso real.