Caro leitores, o Fala ADM é o espaço onde eu, adm Bruno Salazar, faço projeções políticas com base no meu conhecimento estratégico e nas conversas que tenho com populares e com pessoas próximas a determinados políticos. Aqui eu reúno tudo de forma técnica, sem paixão e sem emoção, para traçar perfis e análises sobre grupos, nomes ou situações do cenário político.
Hoje analiso o grupo conhecido como Projeto Político da AD Brasil, presidido pelo pastor Isamar Ramalho, que mais uma vez entra na disputa pelo Senado por Roraima. O grupo já conta com o pastor Diniz como deputado federal buscando a reeleição e com Isamar Júnior, filho do pastor presidente, que tenta continuar na Assembleia Legislativa.
Começando pelo pastor Diniz. Ele é um homem centrado, muito respeitado e conhecido pela palavra forte. Como cristão, faço uma avaliação sincera. Ele é um homem de Deus, honrado e com uma trajetória sólida na igreja. Mesmo após se eleger deputado federal, não deixou que a imagem do político se sobrepusesse à imagem do pastor. Fez um trabalho coerente, manteve sua essência e se destacou em ações culturais e religiosas no estado. Em participações que acompanhei em algumas igrejas, pude ver de perto que mantém firmeza na palavra e autenticidade na pregação.
Dentro da AD Brasil, o nome do pastor Diniz cresceu. Ele tem forte apoio da juventude e dos fiéis e é muito bem avaliado. A base demonstra confiança no seu mandato e está pronta para apoiá-lo novamente.
Quando se fala do Isamar Júnior, o cenário muda. Mesmo sendo filho do presidente do ministério, deputado estadual e tendo ocupado a presidência da juventude da AD Brasil, ele não conseguiu criar a mesma aceitação. Para muitos jovens e irmãos da igreja, o Júnior se tornou uma decepção. Ele não era presente na juventude e não desempenhava bem a função. Ganhou até o apelido de Acaba Culto, porque quando assumia o microfone não tinha presença nem oratória. Os cultos fervorosos da juventude esfriavam quando ele falava, já que muitas vezes se perdia no discurso e prolongava a fala sem conexão. Isso gerou desânimo e afastamento.
Ele tem potencial de reeleição pela força da estrutura da igreja, que conta com mais de 500 congregações, cada uma com seu pastor e sua esposa. Isso garante uma base inicial considerável. Mas a rejeição que acompanha o Júnior é alta. Apesar de ter conseguido recursos internos para ação social da igreja, não se destacam ações relevantes voltadas para a sociedade roraimense. Ele também não conseguiu dialogar com outros ministérios além da AD Brasil.
Enquanto isso, o pastor Diniz conseguiu ampliar sua atuação para outras denominações e fortalecer sua imagem fora da AD Brasil. Ele não se limitou à placa da igreja e, por isso, chega para a reeleição mais forte do que quando foi eleito pela primeira vez.
Voltando ao Júnior, ele não criou lastro político sólido dentro da igreja e muito menos fora dela. Isso pode ser o calcanhar de Aquiles do grupo, afetando inclusive a projeção de imagem do próprio pastor Isamar Ramalho.
Sobre o pastor Isamar Ramalho, é impossível negar sua competência como líder religioso. Ele levou o ministério da AD Brasil do centro de Roraima às regiões mais distantes. Onde você chega, há uma igreja da AD Brasil e há um trabalho dele. Isso é inegável.
Depois da publicação do lançamento da candidatura, surgiram comentários dizendo que pastores não deveriam entrar na política. Eu discordo. A política é um espaço de representatividade. Em uma democracia, é necessário que existam representantes de todos os meios e instituições. A voz da igreja, como a voz de qualquer grupo social, tem direito de estar presente na política. Isso é democracia.
No cenário atual, a corrida para o Senado se tornou completamente aberta. Tendo em vista que o pastor Isamar Ramalho já disputou outras eleições e já alcançou mais de 50 mil votos, ele pode sim ser um nome capaz de deslanchar, especialmente na disputa pelo segundo voto, já que nesta eleição serão dois votos para o Senado. Mas fica a dúvida no ar.
Será que o pastor Isamar Ramalho, como senador, será um político semelhante ao filho ou seguirá a linha política do pastor Diniz? Essa é a questão que gera debate não apenas na sociedade, mas dentro da própria AD Brasil. A igreja, como projeto político, deve apoiar ele. Mas resta saber se esse apoio será de 100%, já que o nome dele já provoca embates e discussões internas.
O fato é que o nome Isamar Ramalho entra oficialmente na corrida pelo Senado.