O comandante-geral da Polícia Militar de Roraima, coronel Overlan Lopes, reagiu publicamente ao vídeo divulgado pela major Adriane nas redes sociais e anunciou a abertura de apuração interna contra a oficial. A declaração foi feita durante um evento do IPER, com a presença do governador e de autoridades políticas.
Sem citar nominalmente a major, o comandante criticou a postura adotada no vídeo e afirmou que a corporação já iniciou procedimentos administrativos para apurar a conduta da militar.

Durante sua fala, Overlan Lopes declarou que a Polícia Militar tem compromisso com o Estado e com a sociedade e classificou como “sonho inalcançável” o que chamou de um projeto pessoal atribuído à major.
O comandante afirmou ainda que uma “certa senhora” estaria utilizando as redes sociais para denegrir a imagem da Polícia Militar e do Governo do Estado, atribuindo motivação política às declarações feitas no vídeo.
Segundo Overlan, a legislação interna da corporação não permite esse tipo de comportamento por parte de oficiais. Por isso, já foi determinada a abertura de investigação administrativa.
“Nós já iniciamos a apuração. O oficial que toma esse tipo de atitude vai passar por uma investigação interna. Será instaurada uma sindicância e, comprovada irregularidade na fala, ela será devidamente sancionada”, afirmou.
Na sequência, o comandante declarou que as falas da major teriam como objetivo causar transtorno e desânimo na tropa, algo que, segundo ele, não terá efeito, pois, na avaliação do comando, a Polícia Militar vive hoje um patamar que não se via há cerca de dez anos.
Ao final de sua declaração, Overlan Lopes fez uma fala de cunho político ao afirmar que o “futuro governador” já estaria definido, em referência ao candidato apoiado pelo atual grupo no poder.
A declaração repercutiu nas redes sociais e gerou questionamentos entre internautas e analistas políticos, por partir do comando de uma instituição que atua diretamente na segurança do processo eleitoral, em apoio à Justiça Eleitoral. Para esses críticos, manifestações políticas públicas por parte do comando da corporação levantam dúvidas sobre neutralidade e isenção institucional durante o período eleitoral.
Repercussão
Após o pronunciamento do comandante, o movimento Todos por Elas, que atua na defesa de mulheres vítimas de violência física, psicológica, institucional, patrimonial e moral, manifestou repúdio à forma como a situação foi conduzida.
Segundo o movimento, ao anunciar publicamente que a major “será devidamente punida”, antes mesmo da conclusão de qualquer procedimento formal, houve exposição pública indevida da servidora e antecipação de julgamento, o que, na avaliação do grupo, viola princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório.
O movimento classificou o episódio como uma tentativa de intimidação e silenciamento, apontando possível enquadramento como violência institucional, conforme previsto na Lei nº 14.321/2022, quando o agente público utiliza o cargo ou a função para submeter alguém a procedimentos vexatórios, constrangedores ou intimidatórios.
O Todos por Elas também afirmou que a major Adriane não atacou instituições nem extrapolou os limites de sua função, tendo apenas expressado um sentimento coletivo de indignação e cansaço de uma categoria que aguarda valorização concreta.